Lula denuncia “novo colonialismo” e cobra reforma urgente da ONU em cúpula na Colômbia

Lula denuncia “novo colonialismo” e cobra reforma urgente da ONU em cúpula na Colômbia

 Em discurso contundente na Celac, presidente brasileiro critica pressão de potências sobre minerais críticos da América Latina e condena paralisia do Conselho de Segurança diante de conflitos globais.

                                                                  © Valter Campanato/Agência Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra as grandes potências mundiais durante a 10ª Cúpula da Celac e o I Fórum Celac-África, em Bogotá, neste sábado (21). Lula classificou as recentes pressões externas sobre a soberania da América Latina e do Caribe como uma tentativa de retomada da “política colonialista”. O foco central de sua crítica foi a disputa pelos minerais críticos, como o lítio boliviano, essenciais para a transição energética global. Para o presidente, a região não pode aceitar ser apenas “exportadora de pedras”, mas deve exigir que as indústrias se instalem localmente para promover o desenvolvimento tecnológico regional.

Lula questionou a legitimidade das invasões e sanções promovidas por nações ricas, citando nominalmente os casos de Cuba e Venezuela, além da recente ofensiva de EUA e Israel contra o Irã. “Em que artigo da Carta da ONU diz que um presidente pode invadir o outro?”, indagou, reforçando que o uso da força tem servido para colonizar economias periféricas sob novas roupagens. O presidente defendeu que o Atlântico Sul deve ser mantido livre de disputas geopolíticas alheias, focando na integração entre os 88 países da Celac e da União Africana, que juntos somam mais de 2,2 bilhões de pessoas.

Crise de Multilateralismo e Gastos Militares

A paralisia da Organização das Nações Unidas foi outro alvo central do discurso. Lula afirmou que o Conselho de Segurança sofre de uma “falta total e absoluta de funcionamento”, argumentando que os próprios membros permanentes, que deveriam zelar pela paz, são os que hoje fomentam as guerras. Ele defendeu a ampliação do Conselho para incluir países da África e da América Latina, corrigindo uma ordem desigual estabelecida ainda na época do colonialismo e do apartheid.

O presidente também apresentou um contraste ético sobre as prioridades globais, comparando os gastos militares com a crise humanitária:

Gastos com Armas (2025): US$ 2,7 trilhões destinados a guerras e armamentos.

Realidade Social: 630 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo.

Vítimas de Conflitos: Milhões de mulheres e crianças desabrigadas, sem pátria e sem acesso a serviços básicos.

Ao encerrar, Lula convocou os líderes presentes a focar em uma “única guerra legítima”: o combate ao analfabetismo, à falta de energia e à desigualdade. Para o Brasil, a verdadeira independência regional no século XXI passa pelo domínio soberano das riquezas naturais e por uma voz ativa nas instituições de governança global.

Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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