Guerra no Irã completa 1 mês com mais de 1.900 mortos

Guerra no Irã completa 1 mês com mais de 1.900 mortos

 

Donald Trump anunciou suspensão dos ataques contra as usinas de energia do país persa até o dia 6 de abril


Irã recusou plano de paz enviado pelos EUAReprodução/X/@netanyahu/Reprodução/IRIB/Reprodução/White House

A guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irã completa 1 mês neste sábado (28), em meio à promessa do presidente americano, Donald Trump, de interromper, até o dia 6 de abril, os ataques às usinas de energia do país persa. O republicano aponta que as negociações com Teerã estão indo “muito bem”.

Até o momento, o conflito já deixou mais de 1.900 mortos e mais de 20 mil feridos, segundo a Cruz Vermelha.



Entre as mortes confirmadas está a do líder supremo Ali Khamenei, alvo no primeiro dia da ofensiva. Com a ausência do aiatolá, o seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu a posição no início de março.

A escolha gerou críticas de Trump, que se disse “muito decepcionado”.

“Eu não acho que ele vai levar a paz para o Irã. Eu acho que o Irã vai continuar com os mesmos tipos de problemas“, afirmou o republicano ao comentar a sucessão.

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Impasse sobre cessar-fogo

O impasse em torno de um cessar-fogo total e definitivo continua.

Na quarta-feira (25), os EUA submeteram ao país persa, por intermédio do Paquistão, um plano de paz dividido em 15 pontos. Segundo agências de notícias e o jornal norte-americano The New York Times, o documento estabelecia:

  • O comprometimento do Irã de nunca buscar desenvolvimento de armas nucleares;
  • A limitação no alcance e no número de mísseis iranianos;
  • A desativação das usinas de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow;
  • O fim do financiamento a grupos terroristas aliados na região, como Hamas e Hezbollah;
  • A criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.

O Irã recusou a proposta. Publicamente, as autoridades iranianas desdenharam a perspectiva de quaisquer negociações com o governo americano.

“Seus conflitos internos chegaram ao ponto em que vocês estão negociando consigo mesmos?”, disse Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam Al-Anbiya das Forças Armadas iranianas, em um vídeo transmitido pela TV estatal.

“Nossa primeira e última palavra tem sido a mesma desde o primeiro dia, e continuará assim. Alguém como nós nunca chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca.”

Apesar do tom, o veículo de imprensa estatal Press TV informou que um funcionário iraniano apresentou as cinco condições para o fim da guerra em resposta ao plano americano. Não está claro se a fonte é um representante de alto escalão autorizado a falar em nome do regime.

De acordo com a Press TV, as condições do Irã para o fim da guerra incluem:

  • Pagamento de indenizações e reparações de guerra;
  • Uma completa interrupção das “agressões e assassinatos”;
  • Mecanismos concretos para garantir que a guerra contra o Irã não seja retomada;
  • A garantia de que o Irã possa exercer soberania sobre o Estreito de Ormuz;
  • A condição de que a guerra seja encerrada em todas as frentes e para todos os grupos apoiados pelo Irã no Oriente Médio.

Ainda segundo o canal, o oficial iraniano também reiterou que Teerã não permitirá que Trump “dite o momento do fim da guerra”.

Israel ameaça ampliar ofensiva

Já Israel ameaça ampliar sua ofensiva contra Teerã. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou na sexta-feira (27) que o país persa “pagará um preço alto e crescente por esse crime de guerra”.

“Apesar dos avisos, os disparos continuam”, declarou, acrescentando que os ataques israelenses devem se intensificar e se expandir para novos alvos e áreas que dão suporte ao regime iraniano na produção e no uso de armas contra cidadãos de Israel.

Ataques recentes realizados pelas Forças Armadas israelenses tiveram como alvo instalações “no coração de Teerã”, onde mísseis balísticos e outras armas são produzidos. Outras ofensivas foram feitas contra lançadores e depósitos de mísseis no oeste do país.

Fechamento do Estreito de Ormuz

A guerra, que, segundo os EUA tem entre os seus objetivos neutralizar ameaças iminentes, destruir instalações nucleares e mísseis balístico que estariam sob o controle do Irã, rapidamente trouxe consequências à economia global.

Uma delas foi o fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês). O grupo reiterou a proibição à passagem de embarcações ligadas a países aliados dos Estados Unidos e de Israel.

Em comunicado enviado via Telegram, a IRGC declarou que “é proibida a passagem de qualquer navio de ou para portos de países aliados de nossos inimigos por qualquer rota marítima” e reforçou que “qualquer tentativa de travessia enfrentará uma resposta firme”.

Segundo a guarda, três navios cargueiros de diferentes nacionalidades tentaram acessar o corredor destinado a embarcações autorizadas na sexta-feira (27), mas foram advertidos pela Marinha iraniana e obrigados a recuar.

O grupo atribuiu as tentativas de travessia às “alegações falsas” de Trump sobre uma suposta reabertura do estreito.

A via marítima é considerada estratégica para o comércio global e uma das principais passagens para escoamento do petróleo. O fechamento fez com que os preços da commodity disparassem. O barril de Brent, que custava cerca de US$ 60 no final de 2025, ultrapassou os US$ 100 e chegou a picos de quase US$ 120.

Trump ameaça destruir as usinas de energia iranianas caso a passagem não seja reaberta até o dia 6 de abril.



R7

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