Após a partida, Vini Jr. se manifestou em comunicado: “Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Mas eles têm, ao lado, proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação de punir”. Ele também criticou a execução do protocolo antirracismo da Fifa, afirmando que o incidente “não é novidade” em sua vida e na de sua família: “Eu recebi cartão amarelo por comemorar um gol. Ainda sem entender o porquê disso. Do outro lado, apenas um protocolo mal executado e que de nada serviu. Não gosto de aparecer em situações como essa, ainda mais depois de uma grande vitória e que as manchetes têm que ser sobre o Real Madrid, mas é necessário”.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) publicou nota em apoio a Vini Jr.: “Racismo é crime. É inaceitável. Não pode existir no futebol nem em lugar algum”. A entidade elogiou a atitude do jogador de acionar o protocolo, classificando-a como “exemplo de coragem e dignidade” e reafirmou seu compromisso na “luta contra toda forma de discriminação”.
Segundo relato de Kylian Mbappé, companheiro de Vini, Prestianni teria chamado o brasileiro de “macaco” cinco vezes durante o incidente. “Depois o número 25 (Prestianni), não quero falar o nome dele porque ele não merece, começou a dizer palavras inaceitáveis. E depois meteu sua cara dentro da camisa para que as câmeras não captassem o que ele dizia e disse cinco vezes que Vini é um macaco. Eu, Vini e muitos jogadores do Real Madrid perdemos o controle”, declarou o francês.
O árbitro François Letexier acionou o protocolo antirracismo da Fifa, paralisando o jogo por cerca de 10 minutos. Durante a interrupção, os jogadores do Real Madrid se dirigiram ao banco em protesto e Mbappé discutiu com o capitão do Benfica, Otamendi. A torcida do Benfica vaiou Vini Jr., mas sem utilizar termos racistas, segundo a TNT Sports. Após a avaliação da arbitragem, a partida foi retomada, sem punição a Prestianni pelo suposto ato discriminatório.
Mbappé destacou a responsabilidade dos atletas como exemplo para as novas gerações: “A gente não queria voltar a jogar porque isso é inaceitável, não passa uma boa imagem a todas crianças que nos assistem. Isso é Champions League, uma competição que todos os jovens querem jogar. Temos que dar bom exemplo, não somos perfeitos. Eu não sou perfeito, Vini não é perfeito. Todos os jogadores que estavam em campo, mas algumas coisas não podemos aceitar. Quero deixar as coisas claras: não quero generalizar, estou falando desse jogador”.
O francês ainda reforçou que o incidente não deve ser associado ao clube ou aos torcedores portugueses: “Já estive várias vezes em Portugal, nunca passei por isso. Tenho amigos e companheiros (portugueses) e nunca tive problema. Seria um erro falar mal do Benfica, de Portugal ou dos torcedores. Foi um jogador que, para mim, não merece jogar uma competição como a Champions, a maior competição de todas. Para mim, é inaceitável”.
Em suas redes sociais, Mbappé apoiou o colega: “Dança, Vini, e por favor nunca pare. Eles nunca dirão a nós o que devemos fazer ou não!”.
O incidente ocorreu logo após Vini Jr. abrir o placar aos 50 minutos, com um chute de pé direito, comemorando com uma dancinha em frente à torcida do Benfica, o que gerou discussão com os adversários e resultou em cartão amarelo aplicado pelo árbitro.
Gazeta Brasil
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