Ingrid Santos negou participação em desvios de R$ 100 milhões e atribuiu gestão financeira ao marido; sessão foi suspensa para atendimento médico.
© Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
A oitiva da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na CPMI do INSS foi encerrada prematuramente na noite de segunda-feira, 23, após a depoente passar mal durante o interrogatório. Ingrid, que é sócia do marido Cícero Marcelino de Souza Santos, estava sendo questionada pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL) sobre o recebimento de R$ 13 milhões em contas de suas empresas. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos para que ela recebesse atendimento da equipe médica do Senado em São Luís.
Antes do incidente, Ingrid utilizou o direito ao silêncio garantido pelo STF para evitar perguntas incriminatórias, mas respondeu a alguns questionamentos básicos. Ela alegou desconhecer qualquer esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários, afirmando que a gestão das empresas era de responsabilidade exclusiva do marido. “Ele traiu a minha confiança”, declarou a empresária, referindo-se ao momento em que foi alvo de buscas da Polícia Federal.
O relator Alfredo Gaspar lamentou a interrupção, mas reiterou a gravidade dos fatos apurados. Segundo as investigações, o grupo ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer) teria desviado mais de R$ 100 milhões diretamente das folhas de pagamento de aposentados. O relator enfatizou que, independentemente do estado emocional da depoente, o foco da CPMI permanece na recuperação do prejuízo bilionário causado aos cofres públicos e aos cidadãos.
Impasse com o Banco Master e prorrogação
A convocação de Ingrid ocorreu como uma alternativa após o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, conseguir um habeas corpus no STF para não comparecer. O senador Carlos Viana criticou a ausência de Vorcaro e anunciou que a advocacia do Senado recorrerá da decisão para tentar forçar o depoimento do empresário, que cumpre prisão domiciliar e é investigado por irregularidades em empréstimos consignados.
Diante da proximidade do fim do prazo da comissão, previsto para 28 de março, Viana protocolou um pedido para estender as investigações por mais 60 dias. Caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não decida sobre a prorrogação nos próximos dias, o colegiado pretende acionar o STF para garantir a continuidade dos trabalhos. A próxima reunião deliberativa, marcada para quinta-feira (26), deve votar novas quebras de sigilo e convocações urgentes.
A comissão agora aguarda o laudo médico sobre o estado de saúde de Ingrid Santos para decidir se ela será convocada para uma nova oitiva ou se os parlamentares seguirão para o indiciamento com base nas provas documentais já colhidas pela Polícia Federal e pela equipe técnica da própria CPMI.
Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM
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