Melhora na balança comercial e forte ingresso de Investimento Direto no País (IDP) ajudam a reduzir saldo negativo para US$ 8,4
.© Rafa Neddermeyer/Agência BrasilAs contas externas brasileiras iniciaram 2026 com um desempenho superior ao registrado no ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, 24, o déficit em transações correntes fechou o mês de janeiro em US$ 8,360 bilhões, uma queda em relação aos US$ 9,809 bilhões apurados no mesmo período de 2025. O resultado reflete, principalmente, o aumento no superávit comercial, impulsionado por uma redução generalizada nas importações.
A balança comercial apresentou um saldo positivo de US$ 3,5 bilhões no mês, resultado de US$ 25,3 bilhões em exportações e US$ 21,8 bilhões em importações. A queda de 10% nas compras do exterior, segundo o BC, aponta para uma desaceleração da atividade econômica interna. Em contrapartida, a conta de renda primária — que registra o envio de lucros, juros e dividendos para o exterior — teve um aumento no déficit, atingindo US$ 8,3 bilhões.
Financiamento e Investimentos
Apesar do saldo negativo nas transações correntes, a economia brasileira demonstrou solidez na forma de financiamento desse déficit. O Investimento Direto no País (IDP), focado no setor produtivo e de longo prazo, somou US$ 8,168 bilhões em janeiro, superando os US$ 6,708 bilhões de janeiro de 2025. No acumulado de 12 meses, o IDP atingiu US$ 79,1 bilhões, cobrindo integralmente o déficit externo do período, que foi de US$ 67,5 bilhões (2,92% do PIB).
Viagens e Reservas Internacionais
Um dado que chamou a atenção foi o aumento de 48,4% no déficit da conta de viagens internacionais, que somou US$ 1,453 bilhão. Esse movimento foi causado por uma alta de 22,4% nos gastos de brasileiros no exterior e uma queda nas receitas com turistas estrangeiros no Brasil. Por outro lado, o mercado financeiro doméstico atraiu US$ 8,8 bilhões em investimentos em carteira, o maior volume para um mês de janeiro desde 2018. As reservas internacionais do país também cresceram, atingindo o patamar de US$ 364,4 bilhões.
| Indicador | Janeiro 2025 | Janeiro 2026 | Variação |
| Déficit Transações Correntes | US$ 9,81 bi | US$ 8,36 bi | -14,8% |
| Superávit Comercial | US$ 1,40 bi | US$ 3,52 bi | +151,4% |
| Investimento Direto (IDP) | US$ 6,71 bi | US$ 8,17 bi | +21,8% |
| Reservas Internacionais | US$ 358,2 bi | US$ 364,4 bi | +1,7% |
O cenário desenhado pelo Banco Central indica que, embora o consumo interno de produtos importados tenha arrefecido, o Brasil continua sendo um destino atrativo para o capital estrangeiro de longo prazo. A trajetória de queda no déficit acumulado em 12 meses sugere uma estabilização das contas externas, mantendo a vulnerabilidade do país sob controle diante de oscilações globais.
Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM
Postar um comentário