Anvisa define regras para cultivo de cannabis e cria ambiente experimental para associações

Anvisa define regras para cultivo de cannabis e cria ambiente experimental para associações

 O novo pacote regulatório publicado nesta terça-feira (3) estabelece as normas para o plantio em solo brasileiro, detalha exigências para pesquisa científica e inaugura um modelo de "sandbox" para testar o fornecimento por entidades de pacientes.

         Foto: Pixabay


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o passo mais significativo na regulamentação da cannabis medicinal no Brasil desde 2019. Com a publicação de um novo conjunto de resoluções no Diário Oficial da União, a agência passa a normatizar toda a cadeia produtiva, permitindo o cultivo controlado da planta em território nacional para fins medicinais e de pesquisa.

A medida visa reduzir a judicialização do tema e a dependência de produtos importados, que encarecem o tratamento para os cerca de 672 mil pacientes no país. O grande destaque é a criação de um ambiente regulatório experimental, onde associações de pacientes poderão operar sob supervisão federal para gerar dados que embasarão futuras normas permanentes.

A regulação divide o plantio em categorias distintas, cada uma com seu nível de rigor e finalidade. O foco principal é garantir que a produção não seja desviada para fins recreativos, mantendo a rastreabilidade total desde a semente até o produto final.

  • Cânhamo Industrial: Plantas com teor de THC igual ou inferior a 0,3%. O cultivo é permitido para fins medicinais e farmacêuticos por empresas com autorização especial.

  • Pesquisa Científica: Universidades e fabricantes de medicamentos podem cultivar variedades com qualquer teor de THC, desde que mantenham sistemas de videomonitoramento 24h e controle eletrônico de acesso.

  • Controle de Qualidade: Se um lote destinado ao uso industrial ultrapassar o limite de THC permitido, a destruição deve ser imediata e comunicada à Anvisa em 48 horas.

Pela primeira vez, a Anvisa cria um espaço para as associações de pacientes, que hoje sobrevivem majoritariamente via liminares judiciais. Este modelo experimental (sandbox) terá duração de até cinco anos.

O objetivo é testar formas de acesso que fogem do padrão das grandes indústrias farmacêuticas, permitindo a produção em pequena escala para associados. A participação ocorrerá via chamamento público, e as entidades selecionadas deverão seguir normas rigorosas de boas práticas, sendo proibida qualquer forma de publicidade ou venda comercial ampla.

As resoluções também expandem as possibilidades terapêuticas e profissionais:

MudançaDescrição
THC acima de 0,2%Permitido para doenças debilitantes graves com rótulos de alerta.
Uso VeterinárioMédicos veterinários agora têm autorização formal para prescrever os produtos.
ManipulaçãoFarmácias de manipulação poderão preparar fórmulas com CBD isolado (sob regra extra).
Pesquisa NacionalFacilitação para que ICTs desenvolvam insumos em solo brasileiro.

A Anvisa é categórica ao afirmar que não houve liberação do uso recreativo nem do cultivo doméstico individual (autocultivo). O novo marco é estritamente voltado ao uso terapêutico e científico, mantendo a cannabis como uma substância controlada sob fiscalização sanitária e policial.

O descumprimento de qualquer norma de segurança ou o desvio de finalidade do plantio resultará na destruição das lavouras e punições administrativas e criminais severas.

Por Talyta Vespa, g1 - 44

da redação FM

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