Um jogaço, muitos talentos e o mérito de quem soube potencializar

Um jogaço, muitos talentos e o mérito de quem soube potencializar

 

Final da Copinha, com Cruzeiro campeão, entregou tudo que se espera da maior vitrine de base do país


O Cruzeiro superou o São Paulo na final da Copinha 2026, no estádio do Pacaembu, em São PauloCESAR CONVENTI/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 25.01.2026------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A final da Copa São Paulo de Futebol Júnior entregou tudo aquilo que se espera da maior vitrine de base do país. Cruzeiro 2, São Paulo 1. Um jogaço. Intenso, disputado, com estilos diferentes e, principalmente, recheado de jogadores que certamente voltarão a aparecer no radar do futebol profissional muito em breve.

Foram dois times grandes, com propostas distintas, mas competitivos do início ao fim. O São Paulo, vice-campeão, apresentou uma equipe aguerrida, intensa e com nomes que chamaram bastante atenção ao longo do torneio. Igor Felisberto, Djhordney, Tetê e Paulinho, artilheiro da competição, que infelizmente deixou a final lesionado, são exemplos claros de uma geração que já mostrou estar pronta para voos maiores. Além deles, dois destaques menos badalados merecem atenção especial: o zagueiro Isac, dono de uma atuação intensa, vibrante e de entrega absoluta na decisão, e Matheus Ferreira, que fez uma Copinha consistente do início ao fim, mostrando fome, pegada e leitura de jogo. Jogadores assim sempre encontram espaço.

Do outro lado, o Cruzeiro confirmou a força coletiva que apresentou durante todo o campeonato. Uma equipe tecnicamente muito bem formada, com vários atletas já integrados ao profissional ao longo da temporada. O time inteiro se destacou, mas dois nomes saltaram aos olhos na decisão: Fernando, eleito o melhor jogador da Copinha, decisivo no pivô, nos movimentos de ruptura e na presença ofensiva; e Baptistella, dono de uma visão de jogo diferenciada e uma qualidade técnica rara no meio-campo. Talvez o caminho até o time principal seja mais competitivo, mas é difícil imaginar que esses jogadores não apareçam no futebol profissional em breve.

Ainda assim, se há um grande destaque desta Copinha 2026, ele passa pelos bancos de reserva. Allan Barcelos, pelo São Paulo, e Mairon Cesar, pelo Cruzeiro, foram fundamentais para o nível que a final atingiu. Dois treinadores da mesma geração, da mesma escola, que souberam fazer algo essencial no futebol de base: potencializar as virtudes dos seus jogadores. Allan organizou um time intenso, agressivo e competitivo. Mairon, por sua vez, encaixou uma equipe técnica, fluida e eficiente. Estilos diferentes, mesma competência.

A Copinha deste ano mostrou, mais uma vez, que talento sem direção não se sustenta. Potência sem controle não leva longe. E quando jogadores promissores encontram treinadores preparados, o resultado aparece dentro de campo.

Cruzeiro campeão, São Paulo vice, e uma certeza: a Copa São Paulo segue sendo o palco onde o futuro do futebol brasileiro começa a ganhar forma.

Ilsinho, ex-jogador e comentarista da RECORD   -   R


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