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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou repúdio à violência empregada pelo regime iraniano contra manifestantes que protestam contra a inflação elevada, a desvalorização da moeda e o estancamento da economia do país. As declarações foram feitas em meio à escalada de protestos que já deixaram mortos, feridos e dezenas de detidos em diferentes regiões do Irã.
Diante da alta do custo de vida, Trump publicou uma mensagem na rede social Truth Social, na qual afirmou: “Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos irão em seu socorro. Estamos preparados e prontos para agir”.
A declaração ocorre após a confirmação de que ao menos sete pessoas morreram e 119 foram presas nos primeiros cinco dias de manifestações, segundo a ONG opositora Hrana, com sede nos Estados Unidos. A organização também informou que pelo menos 33 manifestantes ficaram feridos desde o início dos protestos, no último domingo.
Confrontos e mortes em diferentes cidades
Três das mortes, incluindo a de um adolescente, ocorreram na noite de quinta-feira durante uma manifestação em frente a uma delegacia na cidade de Azna, na província ocidental de Lorestán. A agência semioficial Fars confirmou o número de mortos e feridos, afirmando que os confrontos começaram após manifestantes atacarem a sede policial e incendiarem viaturas.
Já a agência Tasnim descreveu os manifestantes como “baderneiros” e alegou que eles tentaram invadir a delegacia utilizando armas brancas e de fogo, o que teria provocado a reação das forças de segurança.
Outras duas mortes foram registradas na cidade de Lordegán, no sudoeste do país, também durante confrontos com agentes de segurança. Segundo a Fars, os incidentes começaram após grupos incendiarem pneus e vandalizarem prédios públicos, incluindo repartições do governo local e agências bancárias.
Protestos se espalham e ganham tom político
As manifestações tiveram início em Teerã e rapidamente se espalharam para dezenas de cidades, como Isfahan, Kermán, Kermanshah, Hamadán e a cidade religiosa de Qom. Embora tenham sido motivados pela crise econômica, os protestos passaram a adotar um tom político, com palavras de ordem como “Morte ao ditador” e slogans em defesa do retorno da monarquia, incluindo “Pahlavi vai voltar”.
O Irã enfrenta uma grave crise econômica, com inflação anual de 42% e uma inflação interanual superior a 52% entre novembro e dezembro, de acordo com dados oficiais. O rial iraniano segue em forte desvalorização, pressionado pelas sanções internacionais e por problemas de gestão econômica.
Escalada de tensões com os Estados Unidos
Em meio ao aumento das tensões, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian alertou que qualquer ataque contra o país receberá uma resposta “dura e dissuasiva”. A declaração foi interpretada como uma reação direta às falas recentes de Trump, que voltou a sugerir uma nova ofensiva militar caso o Irã retome seu programa nuclear.
Durante uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os Estados Unidos “teriam de destruir” qualquer tentativa iraniana de reconstruir suas capacidades nucleares, insinuando que uma eventual operação militar poderia ser “mais poderosa do que a anterior”.
Em publicação na rede social X, Pezeshkian reforçou que “a resposta da República Islâmica do Irã a qualquer agressão cruel será dura e desalentadora”, sem fornecer detalhes adicionais.
Contexto regional e conflito recente
As declarações ocorrem em um cenário de forte instabilidade regional, após a guerra aérea de 12 dias, registrada em junho, que deixou cerca de 1.100 mortos no Irã, incluindo altos comandantes militares e cientistas, além de uma retaliação iraniana que resultou em 28 mortes em Israel.
Trump também manifestou apoio a eventuais novos ataques israelenses caso o Irã rejeite um acordo nuclear e avance em seus programas de mísseis e armas atômicas, aprofundando ainda mais o clima de tensão entre Teerã, Washington e Tel Aviv.
(Com informações da agência EFE)
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