Povos tradicionais debatem transformação agroecológica

Povos tradicionais debatem transformação agroecológica

 Encontro da 3ª CNDRSS, em Brasília, reúne 28 setores de comunidades tradicionais para construir políticas que garantam segurança alimentar, justiça social e proteção dos territórios contra invasores.

       Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil



A 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ªCNDRSS) iniciou sua etapa setorial em Brasília com foco na construção de políticas públicas para os sistemas alimentares. O tema central é a necessidade de uma transformação agroecológica que possa enfrentar as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, promover o bem-estar e a justiça social nos territórios rurais.

Participam do evento 28 setores de povos e comunidades tradicionais, que trabalham na formulação de 30 propostas a serem levadas para a etapa nacional, marcada para março de 2026.

Valorização do rural e proteção dos corpos

Samuel Carvalho, secretário-executivo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Sustentável e Solidário (Condraf), afirmou que a conferência, com o tema “Brasil Rural, Raiz da Vida, Fonte do Bem Viver”, busca mostrar que as condições de vida e a biodiversidade que garantem a sobrevivência, inclusive nas cidades, estão nos territórios rurais.

“É no rural que nós estamos valorizando e priorizando a importância de se ter condições de se produzir alimentos, de se desenvolver em harmonia com o meio ambiente, com a recuperação dos biomas”, disse Carvalho.

No entanto, as comunidades tradicionais levantam demandas urgentes. Maria Alaídes Alves, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, destacou que a principal reivindicação é a proteção dos territórios e dos corpos das pessoas. “A gente precisa de segurança desses corpos, tanto na questão da saúde e climática, e também contra a violência que acontece pelos invasores dos territórios”, explicou.

Representatividade e visibilidade das 28 categorias

Taata Kommannanjy, representante nacional da Rede dos Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil, defendeu que as políticas públicas devem ser abrangentes. Ele pediu que a visibilidade seja dada às 28 categorias que compõem o movimento, e não apenas a uma minoria. “Que não seja só a visibilidade de uma comunidade… Que seja das 28 categorias, porque se fala muito de duas e três, e o restante não se escuta”, defendeu.

As comunidades representadas incluem andirobeiros, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, pescadores artesanais, ribeirinhos, ciganos, entre outros.

A conferência setorial é a segunda de três que antecedem a etapa nacional. O encontro atual, que segue até sexta-feira (3), debate o eixo Valorização dos Saberes Tradicionais dos Velhos. Um terceiro encontro, ainda em outubro, discutirá o eixo Autonomia Econômica das Mulheres Rurais.

Por Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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