Consulta pública abre debate sobre novo modelo de habilitação; objetivo é reduzir custos e ampliar acesso ao documento no Brasil
O governo federal inicia, nesta quinta-feira (2), uma consulta pública para discutir mudanças no processo de obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
A principal novidade em análise é o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas, permitindo que os candidatos escolham diferentes formas de se preparar para os exames teórico e prático, que continuarão sendo exigidos.
A iniciativa, conduzida pelo Ministério dos Transportes, recebeu aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é tratada como prioridade pelo ministro Renan Filho.
Atualmente, o valor para tirar a primeira habilitação pode chegar a R$ 3,2 mil, o que leva cerca de 20 milhões de pessoas a dirigir sem CNH no país. A expectativa é de que a flexibilização reduza o custo em até 80% e contribua para um trânsito mais seguro.
“Nosso objetivo é modernizar o sistema, garantir liberdade de escolha ao futuro motorista e, ao mesmo tempo, preservar a segurança no trânsito”, declarou Renan Filho.
A minuta do projeto ficará disponível por 30 dias na plataforma Participa + Brasil (www.gov.br/participamaisbrasil/consultas-publicas), e a população poderá enviar sugestões. Depois, o texto será analisado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Dirigir sem possuir CNH
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), dirigir sem CNH ou permissão é uma infração gravíssima, passível de multa de R$ 880,41. Quando o condutor é flagrado nessa situação, o veículo fica retido até a apresentação de um motorista habilitado
Dirigir com CNH suspensa ou cassada
Conduzir veículos com a CNH suspensa ou cassada também é uma prática ilegal. As penalidades aplicadas são as mesmas do condutor que não possui o documento de habilitação, visto que, sem ele, o motorista não está apto a dirigir nas vias de trânsito
Shutterstock / News Moto
Dirigir sem portar CNH
Os motoristas que possuem a CNH, mas dirigem sem o documento, seja físico ou digital, também estão cometendo uma infração de trânsito. O artigo 232 do Código de Trânsito Brasileiro indica que é necessário portar os documentos de identificação do veículo e habilitação ao estar na direção
Veronika Zelenina/Shutterstock
Perda da CNH
É importante ter cuidado e atenção com os documentos para evitar transtornos de ordem legal e financeira. A CNH perdida pode ser usada de forma indevida por terceiros, seja para cometer infrações de trânsito ou até mesmo para fins criminosos. Em caso de perda, é necessário registrar o extravio e informar as autoridades competentes. Por isso, faça um boletim de ocorrência relatando a perda da habilitação
O que fazer?
Além de registrar o BO na delegacia, o motorista precisa solicitar a segunda via do documento para seguir habilitado e dirigir. Para isso, ele deve acessar o site do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) ou ir a um posto de atendimento. Fontes: Detran, Governo do Tocantins e Serasa.
Tire suas dúvidas sobre as mudanças na habilitação
A abertura poderá ser realizada diretamente no site da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ou pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).
As aulas em autoescola deixam de ser obrigatórias?
Sim. O candidato poderá optar por estudar sozinho, recorrer a ensino a distância oferecido por empresas credenciadas, usar conteúdos digitais da própria Senatran ou, se preferir, frequentar os Centros de Formação de Condutores (CFCs).
E as provas continuam obrigatórias?
Sim. Exames teórico e prático permanecem como etapas essenciais para garantir que o candidato esteja apto a dirigir.
Será necessário cumprir carga mínima de aulas práticas?
Não. A exigência de 20 horas-aula práticas deixará de existir. O candidato poderá se preparar com autoescolas ou com instrutores autônomos credenciados pelos Detrans.
Quem poderá ser instrutor autônomo?
Profissionais credenciados pelos Detrans, com formação digital supervisionada pela Senatran, avaliação obrigatória e identificação na Carteira Digital de Trânsito.
E as categorias C, D e E?
O processo também será flexibilizado para motoristas de caminhão, ônibus e carretas, que poderão realizar a formação tanto em CFCs quanto em entidades credenciadas, com menos burocracia.
O modelo vai baratear o custo da CNH?
Sim. O governo estima redução de até 80% no valor, devido ao fim da carga horária mínima e à ampliação de opções de ensino, inclusive digitais.
Os CFCs vão perder espaço?
Não. Eles continuarão oferecendo aulas presenciais e online, mas deixam de ter exclusividade. O objetivo é estimular concorrência e oferecer alternativas mais acessíveis.
O processo será menos burocrático?
Sim. Haverá uso de plataformas digitais para conectar alunos e instrutores, com agendamento e pagamento online.
Outros países já adotam esse modelo?
Sim. A proposta se inspira em práticas de países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, Paraguai e Uruguai, onde os candidatos têm mais autonomia.
Cidades|Do R7, em Brasília
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