Saúde lança campanha para reduzir recusa à doação de órgãos

Saúde lança campanha para reduzir recusa à doação de órgãos

 Ministério da Saúde busca reduzir a recusa familiar, que ainda atinge 45% dos casos, com nova campanha que incentiva a conversa sobre doação de órgãos e com a criação da Política Nacional de Doação e Transplantes.

    Rafael Nascimento/MS.





O Ministério da Saúde lançou uma nova campanha em São Paulo para estimular a doação de órgãos no país. O objetivo central da pasta é reverter a alta taxa de recusa familiar, que atualmente atinge 45% das famílias brasileiras.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou do lançamento no Hospital do Rim, na capital paulista. Ele enfatizou que a principal mensagem da campanha é sobre a segurança e a seriedade do Programa Nacional de Transplantes, que possui reconhecimento global.

O Principal Motivo da Recusa Familiar

O médico José Medina Pestana, superintendente do Hospital do Rim, esclareceu que a principal razão para a negativa da doação de órgãos é a insegurança das famílias. Elas ficam em dúvida se essa era a vontade da pessoa falecida.

Pestana descartou outras barreiras, afirmando que a morte encefálica está clara para a população e não há mais barreiras religiosas ou culturais. “A principal razão [para a negativa] é que é preciso avisar à família [que você é um doador]. Quando a família nega, é porque a pessoa nunca falou em vida que queria ser doadora ou não”, acrescentou o especialista.

Para mudar este cenário, a campanha do Ministério da Saúde, com o mote “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece. Converse com a sua família, seja um doador”, será veiculada em setembro, mês em que se celebra o Dia Nacional da Doação de Órgãos (dia 27).

Criação da Política Nacional de Doação e Transplantes
Durante o evento, o ministro Alexandre Padilha assinou uma portaria criando a Política Nacional de Doação e Transplantes. Esta é a primeira vez, desde a criação do sistema de doações em 1997, que a política é descrita em portaria específica.

A política organiza as diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes, reforçando a ética, a transparência, o respeito ao anonimato e a gratuidade do acesso pelo SUS.

Novos Avanços e Regulamentação

Um dos grandes avanços é a regulamentação do transplante de intestino delgado e multivisceral, que agora estão no SUS. Pacientes com falência intestinal poderão ser tratados integralmente na rede pública.

Outra inovação é a incorporação do uso rotineiro da membrana amniótica no tratamento de pacientes queimados, especialmente crianças. O tecido, obtido da placenta após o parto, favorece a cicatrização e reduz a dor e o risco de infecções.

Fortalecimento e Liderança no SUS

O ministro Padilha também lançou o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Prodot). O objetivo é valorizar e reconhecer as equipes hospitalares que identificam potenciais doadores. Os profissionais terão incentivos financeiros conforme o desempenho e o aumento do volume de doações.

O Brasil ocupa a terceira posição mundial em número absoluto de transplantes e é líder em transplantes realizados integralmente por um sistema público, o SUS. No primeiro semestre de 2025, foram feitos 14,9 mil transplantes, o maior número da série histórica.

Mais de 80 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante no Brasil. O Ministério da Saúde considera essencial sensibilizar as famílias para reduzir a recusa e aumentar o número de vidas salvas.

Por Elaine Patrícia Cruz - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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