Mahmoud Abbas pede Estado Palestino com apoio da ONU

Mahmoud Abbas pede Estado Palestino com apoio da ONU

 Líder da Autoridade Nacional Palestina discursou por vídeo na Assembleia Geral, apelando por medidas que interrompam o genocídio em Gaza e garantam Jerusalém Oriental como capital.

    REUTERS/Caitlin Ochs/Proibida reprodução


O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, discursou nesta quinta-feira (25) na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Impedido de viajar a Nova York após ter seu visto negado pelo governo dos EUA, o líder palestino falou por videoconferência.

Em seu apelo, Abbas solicitou que a comunidade internacional adote medidas para viabilizar a construção do Estado Palestino, tendo Jerusalém Oriental como capital. Ele também pediu o bloqueio da expansão ilegal de Israel na Cisjordânia e a interrupção do que chamou de genocídio na Faixa de Gaza.

Críticas a Israel e ao Hamas

Em seu discurso, Abbas listou oito medidas para construir a paz e denunciou planos expansionistas de Israel em toda a região. O líder fez duras críticas à política israelense, afirmando que a ação em Gaza será registrada como um dos capítulos mais horríveis da humanidade.

“O que Israel está realizando não é meramente uma agressão. É um crime de guerra e um crime contra a humanidade”, lamentou o presidente da ANP. As ações de Israel em Gaza já são classificadas como genocídio por diversos países e associações de direitos humanos.

Abbas também se posicionou contra o Hamas, criticando o ataque de 7 de outubro de 2023 por visar civis israelenses. Ele enfatizou que tais ações não representam o povo palestino nem sua luta por liberdade. O líder defendeu que o Hamas e outras organizações deverão entregar suas armas à ANP.

A Viabilização do Estado Palestino

O chefe da ANP reafirmou o desejo de uma transição pacífica, com a criação de um Estado moderno e democrático. “Desejamos um Estado moderno e democrático que respeite o direito internacional, o Estado de Direito e o multilateralismo”, afirmou.

Para isso, uma comissão já foi designada para redigir a Constituição provisória, com previsão de conclusão em três meses, para que a Autoridade se transforme em Estado. Abbas indicou que a ANP está pronta para assumir total responsabilidade pela governança e segurança na Faixa de Gaza.

Apesar dos apelos internacionais, Israel já declarou que não permitirá a construção de um Estado Palestino. O governo de Tel Aviv reivindica toda a cidade de Jerusalém como sua capital, uma medida que conta com o apoio dos Estados Unidos.

Expansão na Cisjordânia

Mahmoud Abbas denunciou a expansão dos assentamentos ilegais de Israel na Cisjordânia. Ele argumentou que essa política tem o objetivo de inviabilizar a construção do Estado palestino, citando o plano E1, que dividiria a Cisjordânia em duas partes.

Abbas lembrou que a ANP reconhece o direito de Israel existir e que os Acordos de Oslo foram sistematicamente minados pelos sucessivos governos de Tel Aviv.

No total, 149 dos quase 190 países-membros da ONU já reconhecem a Palestina. Países como Reino Unido, Austrália e França têm passado a reconhecer o direito da Palestina de ser um Estado, gerando reação contrária de Israel e EUA.

Por Lucas Pordeus León - 20

da redação FM

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