Falhas em recursos de segurança do Instagram colocam adolescentes em risco, aponta estudo

Falhas em recursos de segurança do Instagram colocam adolescentes em risco, aponta estudo

 Pesquisa de grupos de segurança infantil e da Northeastern University concluiu que apenas oito dos 47 recursos de proteção ao jovem funcionam, sendo que a maioria é ineficaz ou inexiste; Meta contestou o relatório.

       Bruno Peres/Agência Brasil


Recursos de segurança implementados pela Meta para proteger adolescentes no Instagram são falhos, ineficazes ou inexistentes. É o que aponta o estudo “Contas de adolescentes, promessas não cumpridas” (Teen Accounts, Broken Promises), realizado por grupos de defesa de segurança infantil e corroborado por pesquisadores da Northeastern University.

O relatório testou 47 recursos de segurança e julgou que apenas oito eram totalmente eficazes. A maioria dos recursos restantes, segundo os grupos, “apresentava falhas, não estava mais disponível ou era substancialmente ineficaz”.

Falhas nos Bloqueios e Filtros

O estudo apontou que os mecanismos de proteção para jovens usuários são facilmente contornados. Entre as falhas identificadas estão:

Conteúdo de automutilação: Recursos para bloquear termos de pesquisa relacionados à automutilação foram facilmente contornados. A Reuters confirmou a falha ao usar a variação “coxas magras” sem espaço, que trouxe conteúdo sobre anorexia.

Filtros anti-bullying: Filtros de mensagens anti-bullying não foram ativados, mesmo quando testados com as mesmas frases de assédio que a Meta havia usado para promovê-los.

Redirecionamento: Um recurso criado para afastar adolescentes de conteúdo compulsivo relacionado à automutilação nunca foi acionado pelos pesquisadores.

Apenas alguns recursos de segurança funcionaram conforme o esperado, como um “modo silencioso” que desativa temporariamente notificações noturnas e a exigência de aprovação dos pais para mudanças nas configurações da conta.

Críticas da Academia e da Meta

Laura Edelson, professora da Northeastern University que supervisionou a pesquisa, afirmou que as descobertas questionam os esforços da Meta “para proteger os adolescentes das piores partes da plataforma”.

O relatório foi impulsionado por dicas de Arturo Bejar, um ex-executivo de segurança da Meta, que afirmou à Reuters que a empresa ignorou dados que indicavam sérias preocupações de segurança com adolescentes e que “boas ideias de segurança foram reduzidas a recursos ineficazes pela gerência”.

A Meta contestou o estudo, classificando as descobertas como errôneas e enganosas. O porta-voz da Meta, Andy Stone, disse que o relatório “repetidamente deturpa nossos esforços para capacitar os pais e proteger os adolescentes”. Stone garantiu que os adolescentes que foram colocados nessas proteções “viram menos conteúdo sensível, tiveram menos contato indesejado e passaram menos tempo no Instagram à noite”.

Apesar da contestação, documentos internos da Meta, vistos pela Reuters, mostram que a empresa estava ciente de falhas significativas em seus sistemas. No ano passado, funcionários alertaram que os sistemas de detecção automática de conteúdo sobre distúrbios alimentares e automutilação não estavam sendo atualizados de forma eficaz.

Em meio à pressão, a Meta anunciou nesta quinta-feira (25) a expansão das contas de adolescentes para usuários do Facebook fora dos Estados Unidos, em um novo esforço para demonstrar suas medidas de proteção às crianças.

Por Jeff Horwitz - Reuters - 20

da redação FM

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