Escola de São Caetano do Sul dá exemplo, prevenindo covid com exame de saliva nos alunos

Escola de São Caetano do Sul dá exemplo, prevenindo covid com exame de saliva nos alunos

 

Projeto cria sistema de vigilância on-line de sintomas da doença; funcionários e professores colaboram na internet..



SÃO PAULO – Pesquisadores da USP participaram da implantação de um sistema de vigilância on-line de sintomas respiratórios para controle da covid-19 numa escola municipal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Entre os meses de setembro e novembro do ano passado alunos, funcionários e professores responderam a um questionário na internet e os que relatavam algum sintoma eram encaminhados para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para diagnóstico.

Ao mesmo tempo, alunos e funcionários assintomáticos foram submetidos a um novo tipo de teste de saliva para covid-19, desenvolvido na USP, que fornece resultados em meia hora, com menores custos, viabilizando o uso do sistema em escolas públicas.

O sistema de vigilância de sintomas de covid-19 foi adotado na Escola Municipal Oscar Niemeyer, em São Caetano do Sul, que possui 428 alunos no ensino fundamental, 429 no ensino médio e 83 funcionários, a partir do início do período escolar, em setembro.

“Todos os funcionários da escola tinham recebido as duas doses da vacina contra o covid-19 antes do começo do estudo”, aponta ao Jornal da USP a professora Silvia Figueiredo Costa, do Instituto de Medicina Tropical (IMT) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), que coordenou o projeto. “Funcionários e alunos sintomáticos ficavam em quarentena e eram testados nas UBS da cidade.”

Todos os participantes do estudo, alunos e funcionários, responderam a um questionário on-line de vigilância de sintomas respiratórios. “Ao aceitar participar do estudo, o aluno e/ou funcionário respondia primeiro a um questionário com informações gerais: idade, gênero, vacinação, e comorbidades, ou seja, doenças já existentes. Em seguida, diariamente, os participantes responderam às seguintes questões: Você tem febre, tosse, dor de garganta, nariz escorrendo e alteração do olfato?”, relata Silvia.

“Ao mesmo tempo, toda semana, os alunos do ensino médio e funcionários assintomáticos da escola realizavam a coleta da saliva para pesquisa do covid-19”, relata Silvia. “As aulas foram mistas, presenciais e on-line, e nenhum aluno ou funcionário sintomático foi à escola durante a realização do estudo.”

Os participantes que relataram algum sintoma nos questionários eram contatados pela escola e encaminhados, ao se confirmarem os sintomas, para realização de teste diagnóstico da covid-19 nas UBS. “Apenas um professor apresentou sintomas, no mês de outubro”, conta a professora do IMT. “Ele foi encaminhado para uma UBS e o teste de coronavírus foi positivo. Simultaneamente, 18 funcionários que tiveram contato com o professor, sempre usando máscara, foram testados para covid-19 e todos apresentaram resultado negativo.”

Teste rápido

Para os alunos e funcionários da escola foi adotado o teste Lamp, sigla em inglês para Loop mediated isothermal amplitication. “Esse teste, aplicado em amostras de saliva, é rápido, fornecendo o resultado em 30 minutos. Também é mais barato que testes similares por não precisar de equipamentos sofisticados, podendo ser realizado, por exemplo, nas UBS”, diz Silvia. “A saliva tem a vantagem de permitir a autocoleta, o que reduz o risco de exposição da coleta do swab, feita com bastões colocados nas narinas.”

O teste foi desenvolvido no Instituto de Biociências (IB) pelo grupo da professora Maria Rita Passos Bueno, e descrito em artigo publicado na revista Diagnostics no último dia 3 de agosto. “O teste de saliva para diagnóstico de covid-19 foi implementado com sucesso em São Caetano do Sul”, destaca a professora do IMT, “e o projeto como um todo viabilizou o uso de uma plataforma de vigilância de sintomas respiratórios em uma escola pública”.

Silvia lembra que um vídeo foi produzido para divulgar o projeto. “Alguns professores não quiseram participar do estudo. Por outro lado, a aceitação pelos alunos e pais foi muito boa. Um dos problemas encontrados foi o acesso à internet de alguns alunos, que tiveram dificuldade para preencher o questionário on-line”, afirma. “Entretanto, nossos resultados mostram que é possível implantar um sistema de vigilância on-line de sintomas respiratórios, que é fundamental para o controle da pandemia, e também a possibilidade de realizar um teste diagnóstico de saliva com autocoleta e de baixo custo.”

Os pesquisadores pretendem, com a divulgação dos resultados do projeto, que outras escolas públicas adotem a plataforma de vigilância on-line. A iniciativa teve apoio do Instituto Todos pela Saúde, e contou com a participação do IMT, por meio das professoras Silvia Figueiredo Costa, Ester Cerdeira Sabino, Érika Manulli e Beatriz Oliveira, do IB, com a professora Maria Rita Passos-Bueno, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), por intermédio do professor Fábio Leal e da Escola Municipal Oscar Niemeyer, dirigida pelo professor Edgar Casado Barreta Souza.

O diretor conta que a escola recebeu o convite para participar do projeto da Secretária de Educação de São Caetano, e que os testes foram de grande valia, porque o maior medo no retorno às atividades era de o vírus ser transmitido e as pessoas serem infectadas no interior da escola. “Optou-se por aplicar os questionários nos alunos do ensino médio, e tanto os estudantes quanto os pais assinaram um termo de consentimento.

A coleta de saliva acontecia nas segundas e terças-feiras”, descreve Souza. “Houve palestras e exibições de vídeos para explicar o projeto, cujo resultado foi muito positivo. O medo da contaminação era grande, mas quando os alunos sabiam que havia testes, sentiam-se mais seguros e incentivados a voltar a escola.”

Mais informações:
e-mail silviacosta@usp.br, com a professora Silvia Figueiredo Costa


Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem