Como dizia o Barão de Itararé (Apparicio Torelly), “era só o que falta!”. Vivemos hoje uma campanha eleitoral atípica, que não discute os problemas da nação nem examina planos para resolvê-los. O único assunto que interessa às duas principais facções são os crimes cometidos por elas. Portanto, deixaram de ser facções políticas para se exibirem como facções criminosas.
O pior é que esse vexaminoso fenômeno ocorre justamente quando o presidente da maior potência – cujo poderio econômico e militar é verdadeiramente hegemônico – resolve liderar uma guerra mundial contra o narcotráfico, cujo envolvimento na política brasileira já se tornou mais público e notório do que o saber dos ministros da Suprema Corte.
INSANO, MAS… – Qualquer analista internacional minimamente perspicaz consegue constatar que Donald Trump é cada vez mais insano, mas tem vislumbres de completa sanidade, como essa ofensiva iniciada contra as facções criminosas, numa guerra sem fronteiras, em seu modo de ver. Ou seja, ele simplesmente mandará invadir ou bombardear, como fez na Venezuela e no Irã, embora a antiga Pérsia condene à morte os narcotraficantes.
É óbvio que na vida tudo tem limites. Ele gostaria, mas não pode mandar invadir a China, maior produtora da droga fentanil, um opioide sintético 50 vezes mais forte que a heroína e 100 vezes mais potente que a morfina, já sendo responsável por dezenas de milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos.
Também não pode invadir a Rússia e outros países europeus que têm arsenais nucleares. Mas o Brasil é alvo fácil, pois não tem praticamente armas de guerra, embora cultive algumas das maiores facções criminosas do mundo, já com ramificações em países desenvolvidos.
PÉS NA ISLÃNDIA – Com muita ousadia, Trump ofereceu-se para comprar a Islândia. Houve protestos no mundo interior, a Dinamarca recusou-se a vender, mas o presidente americano já conseguiu o que queria – instalar mais duas bases militares e ter o direito de garantir a segurança da ilha, sem pagar um centavo ao governo dinamarquês., pois levou sem comprar.
Felizmente, Trump só tem mais dois anos de mandato e não pode se candidatar de novo. Mas nada impede que seja sucedido por algum radical, como Marco Rubio, que pretenda dar seguimento à obra dele. Outro candidato, o vice J.D. Vance, é menos radical, mas tem aprendido muita maldade com Trump.
Em tradução simultânea, Lula tem sido inábil ao enfrentar Trump para ganhar votos aqui. Ele deveria ter dado uma volta nele, aceitando mudar a legislação para tratar facções como organizações terroristas, pois de fato são, e assim teria negociado melhor os tarifaços.
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P.S. – Agora chegamos a uma encruzilhada que leva a duas armadilhas. Se Lula ganhar a eleição, será ruím, porque as relações com Trump tendem a se esfarelar. E se Flávio Bolsonaro vencer, também será ruim, porque não tem a menor condição de enfrentar Trump, caso o imperador americano tente passar dos limites em relação ao Brasil. Assim, estamos vivendo uma eleição altamente negativa, tipo perde-perde, sem a sábia opção do menos ruim. Mesmo assim, sou otimista com relação ao Brasil. Acho que o país seguirá crescendo, não importa quem ganhe as eleições, porque o Brasil é um gigante governado por anões.. (C.N.)
Carlos Newton
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