Pesquisa monitorou 12.287 pessoas por seis meses com sensores sob o colchão; risco de pressão alta foi quase 1,9 vez maior entre os que roncavam 12% do tempo de sono.
Um estudo publicado na revista científica npj Digital Medicine (do grupo Nature) por pesquisadores da Flinders University (Austrália) revelou uma associação direta entre roncos frequentes e hipertensão arterial não controlada. A pesquisa monitorou 12.287 participantes durante cerca de seis meses por meio de sensores não invasivos instalados sob os colchões.
Os resultados mostraram que pessoas que roncavam durante cerca de 12% do tempo de sono apresentavam uma probabilidade 1,9 vez maior de ter pressão arterial elevada não controlada em comparação com o grupo de menor exposição (0,04%). A associação se manteve mesmo após ajustar variáveis como idade, sexo, índice de massa corporal (IMC) e presença de apneia do sono, indicando que o ronco pode ser um fator de risco independente.
Quando os roncos devem preocupar
Comentando os impactos da condição, o otorrinolaringologista Brian Chen, da Cleveland Clinic, explica que o som do ronco surge quando o ar encontra resistência ao passar pelas vias aéreas relaxadas durante a noite.
“Muitas pessoas roncam e isso é simplesmente o som do ar se movendo pelas vias respiratórias. Porém, em outros momentos, pode ser um sinal de algo mais profundo, como uma obstrução associada à apneia do sono”, esclarece o médico.
A apneia obstrutiva do sono é a complicação mais grave associada ao ronco. Ela ocorre quando a respiração é interrompida por alguns segundos várias vezes à noite, podendo acarretar sérios problemas cardiovasculares no longo prazo.
Fatores de risco e prevenções
Entre as causas mais comuns do ronco estão:
Desvio de septo nasal e pólipos;
Rinite e alergias respiratórias;
Postura inadequada ao dormir;
Consumo de álcool e tabagismo;
Excesso de peso.
O Dr. Chen destaca que a posição deitar de lado reduz a compressão da garganta e facilita a passagem do ar, enquanto dormir de barriga para cima favorece o colapso dos tecidos moles.
Em muitos casos, o problema pode ser atenuado com medidas simples, como exercícios físicos regulares, redução do álcool, tiras nasais ou dispositivos bucais.
Quando procurar ajuda
O estudo reforça o valor de tecnologias domésticas contínuas para detectar hábitos noturnos e rastrear riscos cardiovasculares antes que evoluam.
Caso mudanças de hábitos não diminuam o barulho ou surjam sintomas como cansaço excessivo de dia, a recomendação é buscar avaliação médica especializada. Os tratamentos variam desde o uso de aparelhos de pressão positiva (CPAP) até intervenções cirúrgicas.
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