OMS critica EUA por políticas de redução da vacinação infantil

OMS critica EUA por políticas de redução da vacinação infantil

 "Não está em consonância com décadas de evidência científica", disse Tedros Adhanom

                                    Tedros Adhanom Ghebreyesus Foto: EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI



O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, criticou nesta quarta-feira (12) as novas políticas sanitárias dos Estados Unidos que, entre outros pontos, reduzem as vacinas infantis recomendadas. Tedros afirmou que a medida “não está em consonância com décadas de evidência científica”.

– A política de vacinação deve ser guiada por uma revisão rigorosa, independente e transparente da melhor evidência científica disponível, e não pela influência política – escreveu Tedros em sua conta oficial na rede social X.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na última segunda (10) uma ordem executiva que reduz de 18 para 11 as doenças contra as quais o governo americano recomenda vacinar todas as crianças e estabelece novas categorias para outras imunizações.

A medida, impulsionada junto ao secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., deixa vacinas contra a gripe, a Covid-19, a hepatite A e B, o rotavírus e a meningite sob critérios de risco ou de decisão compartilhada entre pais e médicos, enquanto ordena revisar o calendário federal de vacinação infantil.

De acordo com o diretor-geral da OMS, essas mudanças não levam em conta evidências científicas “que mostram quando as crianças estão mais vulneráveis às doenças, quando as vacinas proporcionam a maior proteção, quantas doses são necessárias e quais vacinas podem ser administradas juntas de forma segura”.

– Atrasar as vacinas ou separar desnecessariamente as doses não torna a vacinação mais segura, e pode deixar as crianças desprotegidas – advertiu Tedros.

– Todo pai quer manter seus filhos em segurança, e as vacinas estão entre as ferramentas mais eficazes para fazer isso, já que permitem prevenir doenças mortais – afirmou o chefe da agência sanitária das Nações Unidas, a qual o governo dos Estados Unidos abandonou este ano.

Trump vinculou sua decisão ao aumento do autismo no país e questionou a segurança da vacina tríplice viral, apesar de décadas de pesquisas que não encontraram uma relação causal entre as vacinas e o autismo.

Especialistas em saúde pública alertaram para um possível aumento de doenças preveníveis por vacinação, em um ano no qual os Estados Unidos já registraram seu maior número de casos de sarampo em décadas.

*EFE

Pleno.News

da redação FM

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