‘O Santos não é mais uma potência no futebol brasileiro. Nunca vi uma torcida como a do Corinthians. Tiro o chapéu para ela." Neymar

‘O Santos não é mais uma potência no futebol brasileiro. Nunca vi uma torcida como a do Corinthians. Tiro o chapéu para ela." Neymar

 

Neymar fez a melhor partida coletiva, desde que voltou ao Brasil, no ano passado. Foi fundamental para o Santos vencer o Corinthians, em plena Itaquera, por 1 a 0. Jogo que afastou seu time da zona do rebaixamento. Depois do clássico, doou sua camisa à uma criança corintiana. E ela teve de sair escoltada por policiais, para sair do estádio. Estava sendo xingada e ameaçada por torcedores


Neymar cobrou a falta que Hugo espalmou para a trave. E Oliva marcou o gol da vitória santistaRaul Baretta/Santos

São Paulo, Brasil

O critério de Neymar para dar entrevistas, desde que voltou ao Brasil, não muda.

Quando o Santos perde, nenhuma palavra.

Quando vence e ele é destaque, aí, sim.

E foi o que aconteceu hoje, quando ele fez sua melhor partida, de forma coletiva, jogando para o time e não para ele, desde que voltou ao Brasil.

Foi o principal jogador na vitória contra o Corinthians, em plena Itaquera, por 1 a 0, gol do uruguaio Oliva, completando falta cobrada por Neymar, que Hugo espalmou na trave.

Diante de 47 mil corintianos, Neymar tabelou, lançou, tocou de primeira, driblou para a frente, simulou muito pouco e não ofendeu o árbitro Wilton Pereira Carvalho, como fez com Edina Alves.

Neymar mostrou que tinha muito a falar. Deu a resposta dos críticos que cobraram ele só ter jogado quatro clássicos, dos 16 que o Santos disputou, desde que ele voltou, em fevereiro de 2025.

“Esta última semana falaram que vim para jogar no Santos contra times pequenos e nunca foi isso.

“Muito pelo contrário, sempre gostei de jogo grande e de jogar os melhores jogos, que mostra quem são os melhores jogadores.

“Não à toa que sou terceiro ou quarto maior artilheiro em finais e isso mostra como foi minha carreira.”

O capitão do Santos estava inspirado.

Sem a menor cerimônia disse que foi Cuca quem não o escalou, na trágica derrota do Santos para o Palmeiras, na quarta-feira passada, por 3 a 0. O resultado obriga o Santos a vencer por 4 a 0, na próxima quarta-feira, para chegar à semifinal da Copa do Brasil.

“Infelizmente nos últimos tempos fiquei machucado. No último clássico contra o Palmeiras, eu estava à disposição e até chuteira adaptada eu tinha, que é uma chuteira de trava menor para society, mas foi uma decisão da comissão técnica.”

Neymar foi muito claro em relação à péssima campanha do Santos no Brasileiro, namorando com a zona do rebaixamento, desde a primeira rodada.

“Reitero o mesmo discurso que eu falei há um mês, se não me engano. Vai ser sofrido, todos os jogos, não tem jogo que a gente vai ganhar de 3, 4 a 0, não.

“Mas pelo que o Santos tornou, infelizmente, nós não somos mais potência do futebol brasileiro.”

Sobre a partida decisiva da Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, contra o Palmeiras, ele foi esperto. Vivido, aos 34 anos, repassou a responsabilidade ao rival. Ele sabe o quanto a situação está quase irreversível.

“A gente vai jogar para se divertir. A responsabilidade é toda do segundo melhor time do país, que é o Palmeiras. A responsabilidade é deles e a gente vai se divertir quarta-feira na Vila.”

Ele não se segurou para elogiar a torcida do Corinthians, maior rival do Santos.

“Nunca tive nada contra o Corinthians, pelo contrário. Eu respeito muito o Corinthians pelo time que é, pela torcida que tem, incentivaram até o fim, mesmo perdendo o jogo, isso eu nunca vi em nenhum lugar, tiro chapéu para todos eles. É um time que respeito muito.”

Quem não se divertiu foi a família de um garoto que recebeu sua camisa após o jogo. Em São Paulo, a Polícia Militar não permite que os clássicos tenham as duas torcidas rivais. Hoje, em Itaquera, só havia corintianos.

E um menino, que aparentava oito anos, escreveu o seguinte cartaz.

‘Neymar, amo o Corinthians, mas sou seu fã, me dá sua camisa.’

Ele ganhou.

Mas teve consequências.

Mas sua família foi hostilizada, xingada e ameaçada por alguns corintianos. Policiais tiveram de proteger o menino e sua família. Eles foram escoltados até saírem de Itaquera. A cena é lastimável.

A mãe do garoto teve de postar o menino falando ‘Vai Corinthians’, com medo de retaliação.

Neymar lastimou as cenas.

“Eu fico triste, né, óbvio. Não tem nada a ver, um garoto gostar de um jogador que é de um time diferente, de um rival. No cartaz mesmo ele diz que é muito corinthiano, mas que é fã do jogador que eu sou. Por isso entreguei a camisa para ele.

“Quem fez isso, está errado, obviamente. Não pode tratar uma criança assim, é só uma criança. Tem que ter o respeito. Mas o que eu posso fazer? Não posso fazer nada.”

Graças a Neymar, o volante Arthur, seu ‘parça’ aceitou jogar no Santos. Deve ser anunciado hoje.

A direção também pode fechar com Rodinei e Emerson Palmieri. O dinheiro para os reforços estaria vindo de empréstimos do próprio pai de Neymar, asseguram setoristas do Santos.

Tudo para evitar o rebaixamento.

A vitória sobre o Corinthians, apenas a segunda fora de casa, em todo Brasileiro foi fundamental para a reação.

E ela tem um ‘dono’: Neymar...

R7

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