O governo espanhol mobilizou o Exército no enclave de Ceuta para tentar conter a maior crise migratória já registrada na história da região. Cerca de 49 mil migrantes, em sua maioria marroquinos e argelinos, atravessaram a nado a fronteira do Tarajal em um único dia, provocando o colapso dos serviços de acolhimento e acendendo o sinal de alerta na Europa.
O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, declarou “emergência humanitária e social total” e solicitou a decretação de estado de emergência nacional ao governo central, em Madri, que recusou o pedido. Como resposta, o governo espanhol enviou 60 militares do Exército de Terra e 30 agentes adicionais da Guarda Civil para reforçar o perímetro.
Tragédia e colapso no acolhimento
Pelo menos 34 pessoas morreram durante a travessia, a maioria vítima de afogamento ou em decorrência do pisoteamento no quebra-mar da praia do Tarajal.
A infraestrutura da cidade autônoma ruiu diante do fluxo:
Capacidade de abrigos: Centros de acolhimento totalmente lotados;
Menores desacompanhados: Instalações operam com inacreditáveis 2.400% acima da capacidade;
Situação de rua: Milhares de migrantes, incluindo mulheres e crianças, dormem sem abrigo em parques e calçadas.
Rachid Sbihi, representante da Guarda Civil local, classificou o cenário como uma “crise humanitária grave” e alertou que novas travessias continuam ocorrendo.
Tensão nas ruas e o caos em Melilla
Moradores de Ceuta reagiram com extrema hostilidade. Vídeos registraram grupos brandindo bandeiras e protestando de forma ostensiva contra os migrantes, enquanto outros foram flagrados tentando invadir residências. Diante do clima de pânico, comerciantes fecharam as portas mais cedo e organizaram patrulhas comunitárias de defesa.
O caos transbordou para Melilla, o outro enclave espanhol no norte da África, onde entre 300 e 400 marroquinos conseguiram cruzar a fronteira. Do lado marroquino, na cidade vizinha de Beni-Enzar, distúrbios violentos deixaram diversos veículos em chamas.
Reação em cadeia na Europa e ameaça a Schengen
O impacto geopolítico foi imediato. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou que estuda medidas extraordinárias, incluindo a suspensão do acordo de Schengen com a Espanha — iniciativa que recebeu o apoio da Finlândia. Em paralelo, a França confirmou que vai intensificar os controles policiais em sua fronteira com o território espanhol.
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