Cesta básica sobe em 14 capitais em fevereiro impulsionada pela alta do feijão e da carne

Cesta básica sobe em 14 capitais em fevereiro impulsionada pela alta do feijão e da carne

 Natal registra a maior elevação do país, enquanto São Paulo mantém o posto de cesta mais cara; Dieese estima que salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.164,94.

                                                                                              © Marcelo Camargo/Agência Brasil



O custo de vida do brasileiro apresentou variações distintas pelo país no mês de fevereiro. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese em parceria com a Conab, o preço do conjunto de alimentos essenciais subiu em 14 capitais, enquanto o Distrito Federal e outras 12 cidades registraram queda nos valores médios. O cenário reflete uma pressão inflacionária localizada, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste.

A maior alta foi observada em Natal, onde o custo da cesta avançou 3,52%, seguida de perto por João Pessoa e Recife. No extremo oposto, Manaus apresentou a redução mais significativa, com queda de 2,94%, acompanhada por Cuiabá e Brasília. No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a tendência de alta é ainda mais nítida, com 25 cidades apresentando elevação nos preços, lideradas pelo Rio de Janeiro, que acumula alta de 4,41%.

Vilões da mesa: Feijão e Carne Bovina

Dois itens fundamentais na dieta nacional foram os principais responsáveis pelo encarecimento da cesta no último mês. O feijão registrou alta em quase todo o território nacional, com destaque para Campo Grande, onde o quilo do grão saltou 22,05%. Pesquisadores atribuem o fenômeno à oferta restrita no mercado, causada por dificuldades na colheita e por uma redução na área de plantio em comparação ao ano anterior.

A carne bovina de primeira também pesou no bolso do consumidor, com aumento de preços em 20 cidades. O setor pecuário enfrenta um momento de baixa disponibilidade de animais prontos para o abate, somado ao forte desempenho das exportações brasileiras, que mantém o produto valorizado no mercado interno e limita a oferta para o consumo doméstico.

Desigualdade Regional e o Salário Mínimo Ideal

O levantamento reafirma o abismo de custos entre as diferentes regiões do Brasil. São Paulo detém a cesta básica mais cara do país, custando em média R$ 852,87, seguida pelo Rio de Janeiro. Já os menores valores médios foram encontrados em Aracaju (R$ 562,88) e Porto Velho (R$ 601,69).

Diante desses valores, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para suprir todas as necessidades constitucionais de uma família — como alimentação, moradia, saúde e educação — deveria ter sido de R$ 7.164,94 em fevereiro. O valor estimado é mais de quatro vezes superior ao salário mínimo atual de R$ 1.621,00, evidenciando o desafio do poder de compra da população frente à inflação dos alimentos.

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

da redação FM

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