Governo abre edital para ações de combate ao desmatamento na Amazônia

Governo abre edital para ações de combate ao desmatamento na Amazônia

 Programa federal vai selecionar organizações para atuar em municípios prioritários, com foco em regularização fundiária, assistência técnica e geração de renda sustentável para famílias da região.

        © Agência Brasil



O governo federal abriu o processo de inscrições para a seleção de organizações que irão executar ações de combate ao desmatamento e aos incêndios florestais na Amazônia. A iniciativa integra o programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia e é voltada a municípios considerados prioritários para o controle da devastação ambiental.

O edital prevê a escolha de entidades que atuarão em 48 municípios da região amazônica que aderiram ao programa. O projeto conta com recursos de R$ 131,9 milhões do Fundo Amazônia e tem potencial para beneficiar cerca de 7,3 mil famílias que vivem em áreas rurais da floresta.

As organizações interessadas devem estar credenciadas na Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. As propostas precisam ser enviadas por meio do Sistema de Gestão de Ater até o início de março. A seleção ocorrerá por chamada pública, conforme as regras estabelecidas no edital.

A iniciativa tem como eixo central a regularização fundiária e ambiental, aliada à inclusão produtiva. O projeto prevê a oferta de assistência técnica e extensão rural, apoio à agricultura familiar e estímulo a práticas sustentáveis que permitam aumentar a renda das famílias sem avançar sobre a floresta.

De acordo com o edital, a diversidade social e produtiva da Amazônia exige estratégias adaptadas às realidades locais. Comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares, assentamentos da reforma agrária e diferentes modelos de produção convivem em um mesmo território, o que demanda ações integradas e sensíveis aos conflitos fundiários e ambientais.

O foco inicial do projeto são pequenas propriedades rurais, com até quatro módulos fiscais, localizadas em assentamentos ou em áreas de terras públicas federais ainda sem destinação. As primeiras ações incluem a identificação dos agricultores, visitas técnicas e o início dos processos de regularização fundiária e ambiental.

Na sequência, as equipes selecionadas irão apoiar a implementação de práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais, considerados estratégicos para conciliar produção de alimentos, geração de renda e conservação ambiental.

Nesta fase inicial, o edital está dividido em 16 lotes que abrangem os 48 municípios prioritários. As ações contemplarão famílias de seis estados da Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima. O público-alvo inclui agricultores familiares, ocupantes de terras públicas federais sem destinação e assentados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

O programa União com Municípios foi instituído em 2023 e reconhece o papel central dos governos locais na redução do desmatamento e das queimadas. Esse é o primeiro de três projetos previstos com recursos do Fundo Amazônia para os próximos cinco anos. A meta é promover a regularização completa de cerca de 30 mil famílias, com investimento total estimado em R$ 600 milhões.

Atualmente, 70 municípios de sete estados amazônicos participam da iniciativa. O programa já entregou veículos, embarcações e equipamentos de monitoramento, além de promover capacitações técnicas e ações de pagamento por serviços ambientais para agricultores familiares.

Com recursos que somam cerca de R$ 800 milhões, provenientes do Fundo Amazônia e de parcerias internacionais, o programa também atua na recuperação da vegetação nativa, no fortalecimento da governança ambiental municipal e na ampliação de políticas públicas voltadas à proteção da floresta e ao desenvolvimento sustentável.

Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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